| Dra Mércia Ferreira Barreto Nutricionista CRN5/1764 |
O aumento da expectativa de vida e a redução das taxas de natalidade têm promovido o crescimento do número de idosos em âmbito mundial. No Brasil, semelhante aos países da America Latina, este aumento da população de idosos e mudança da distribuição etária se constituem novos desafios para o campo da nutrição e saúde pública.
Estima-se que o envelhecimento rápido e intenso da população brasileira nos leve a ocupar o sexto lugar na esfera mundial em 2025, se constituindo uma população de 31,8 milhões de pessoas com idade superior a 60 anos.
O processo de envelhecimento submete o organismo a diversas alterações funcionais e anatômicas, que irão repercutir nas condições de saúde e nutrição do indivíduo. Algumas dessas mudanças são progressivas e afetam a capacidade funcional do organismo, como a perda da sensibilidade ao tato, diminuição da visão e da audição, até alterações em processos metabólicos do organismo.
As alterações metabólicas no envelhecimento levam a maior ocorrência de enfermidades proporcionando ao individuo idoso o consumo de vários medicamentos. A presença de alterações inerentes a faixa etária também torna o indivíduo idoso suscetível ao baixo consumo de nutrientes, agravando o estado nutricional.
Com o envelhecimento, as alterações fisiológicas que afetam o estado do idoso se constituem em diminuição do metabolismo basal, perda ou ausência de peças dentárias, redistribuição da massa corporal, alterações no funcionamento digestivo, diminuição da percepção sensorial, sensibilidade à sede e diminuição da capacidade cognitiva.
As alterações no aparelho digestivo quase sempre são ligadas a lentidão dos movimentos peristálticos, perda de enzimas digestivas, atrofia da mucosa gástrica com diminuição da produção de ácido clorídrico, baixa absorção de vitamina B12 e diminuição do tamanho do fígado.
Na terceira idade, as alterações sensórias afetam de forma significativa a ingestão alimentar. A diminuição da sensibilidade do paladar como perda da percepção das sensações de amargo, doce, azedo e salgado, pode ser justificada pela a diminuição das papilas. O mesmo acontece com a perda da capacidade olfativa e percepção dos diversos odores suaves.
O estímulo da mastigação é outro fator de crucial interferência para alimentação dos indivíduos idosos. A perda de peças dentárias ou utilização de próteses leva o indivíduo idoso a limitações para consumir alimentos como carne, verduras, legumes crus e algumas frutas, em substituição, são consumidos frequentemente mingaus, caldos, sopas, promovendo um baixo consumo energético de vitaminas e minerais.
O envelhecimento também promove alterações de alguns órgãos como o fígado, que diminui de peso e número de células hepáticas, havendo um comprometimento na síntese de proteína, no metabolismo lipoprotéico e na secreção de bile, como também na diminuição da tolerância a alguns agentes excretados pelo fígado.
A hidratação é uma das preocupações na terceira idade. Nos indivíduos idosos, a perda da percepção da sensação de sede esta diminuída, o que torna a desidratação freqüente, podendo desencadear outras doenças como enfermidades infecciosas e cerebrovasculares, sendo danosas para o indivíduo.
Diante disso, é notório que o cuidado com a saúde do idoso requer do profissional de saúde e principalmente do nutricionista, habilidade e conhecimento para reconhecer as limitações inerentes a terceira idade e garantir a longevidade destes indivíduos.