| Samanta Nunes Psicóloga CRP 03/6735 |
Inúmeras pesquisas comprovam que o aumento de peso não é devido a simplesmente comer muito. Tornar-se gordo ou magro está ligado à capacidade de cada ser humano de metabolizar as calorias consumidas. Com isso, um distúrbio metabólico pode ter uma causa fisiológica ou, ainda, psicológica. Esta costuma ser dificilmente percebida ou carregada de preconceito pelas pessoas que acham que não tem motivo para ir ao psicólogo ou que não fazem a relação psique-corpo.
Em muitos casos, a alimentação excessiva decorre de processos vivenciados desde a infância, como, por exemplo, um padrão rígido da mãe do indivíduo, somado ao perfeccionismo do pai. Isso faz com que a criança engula o medo e o ressentimento vivenciados, bem como reprima suas emoções com a comida, ao invés de manifestá-las, resultando a ansiedade que, por conseguinte, origina a compulsão alimentar.
A nossa própria sociedade contribui para esses tipos de problemas psíquicos, onde a sexualidade e a feminilidade estão associadas a um corpo esbelto. Se uma pessoa enfrentou a infância com um corpo acima do peso, passou por piadinhas feitas por colegas da escola, por exemplo, tenta conter a ansiedade com comida, engordando ainda mais. Essa criança carrega o peso da cultura da beleza e quando chega à adolescência, com a personalidade já afetada, agrava-se ainda mais. Imagine o grau de danos na sua psique quando a mesma atinge a idade adulta.
Há, também, um grande vazio inexplicável sentido por algumas pessoas obesas e, que, para compensar a falta ou a insatisfação desse oco inconsciente o sujeito come excessivamente. Normalmente o alimento está ligado ao acolhimento, carinho, que a mãe oferece ao bebê com seu leite. Por esse motivo, os transtornos alimentares têm base psicológica nos conflitos afetivos e aquele vazio pode representar a busca por um afeto nunca vivenciado, por segurança ou autoconfiança. A vivência negativa com o campo materno, que deveria ser aquela quem acolhe, nutre, protege, acaba deixando uma lacuna na psique do sujeito e toda essa busca é transferida para a comida.
Por outro lado, o alimento pode se associar aos conteúdos negativos e destrutivos, como a culpa, o ódio, a raiva, o remorso, as frustrações ou a depressão. E como o indivíduo não os expressa, compensa na alimentação e se autopune através do corpo. De um modo geral, os distúrbios alimentares são uma tentativa de resolução ou uma dissimulação de conflitos inconscientes.
Desse modo, o sucesso para o emagrecimento não depende somente de uma boa dieta e exercícios físicos, e sim do enfrentamento de questões que proporcionam mudanças nos diversos âmbitos da vida: corpo, mente, relações afetivas, familiares, sociais, profissionais e espirituais. A soma dos tratamentos na nutrição, educação física, estética e psicológica vai proporcionar o melhor resultado para o sujeito.
Fazer a Psicoterapia vai propiciar ao paciente uma maior conscientização das emoções, sentimentos ou de conflitos rejeitados, permitindo retornar à sua essência enquanto ser humano, único, individual e sem deformações. Procurar ajuda de um psicólogo não significa que ficou “maluco”, e sim, que a pessoa resolveu cuidar mais de si, encarando seus problemas de frente, aprendendo com as dificuldades, fortalecendo-se, desenvolvendo potenciais e se autoconhecendo.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
WOODMAN, M. A Coruja era Filha do Padeiro: Obesidade, Anorexia Nervosa e o Feminino Reprimido. São Paulo: Cultrix, 1980.